O futuro dos povos e de toda a humanidade em conjunto depende muito da formação da juventude.

Os diversos países do mundo, configurados por sua situação étnica e geográfica, educaram suas juventudes seguindo as inspirações naturais do solo pátrio, determinando assim preferências que depois haveriam de caracterizá-los nas respectivas linhagens de grandes condutores políticos, oradores ilustres, filósofos, navegantes, artistas, gênios da literatura, expoentes máximos da ciência ou eminências do pensamento econômico. Cada nação se distinguia e sobressaía em heranças notáveis.

A preservação da cultura, o arraigamento das tradições e a indestrutibilidade da consciência nacional constituíram a preocupação básica de todas as antigas dinastias que reinaram por então em muitos povos do mundo. O anelo mais profundo e ardente que, pode-se dizer, o pensamento íntimo dos governantes continha, era o de estabelecer para seus reinos, sem perigo de perturbações, as correntes ascendentes de progresso na alma de todos os súditos, mediante continuados esforços de superação, sobretudo das massas inteligentes, a fim de conservar no conceito universal o posto de honra que lhes coube em alguma de suas melhores épocas, pelo fruto que souberam colher de suas inteligências, fruto que, por certo, beneficiou depois toda a humanidade.

A juventude requer ser preparada para as elevadas funções da vida superior

Isso quer dizer que existiu algo acima da ilustração comum e dos conhecimentos gerais que se costuma dar ao jovem para formar sua cultura corrente e convertê-lo em incipiente homem de ciência ou de estudo, de modo que possa desenvolver-se dignamente em qualquer das carreiras que ele escolha: existiu uma educação superior tendente a despertar aptidões distantes da índole comum, que obedeçam às altas finalidades contidas naquela preocupação apontada e que tendam a forjar em relevo novos capítulos encarregados de manter incólume o prestígio da espécie humana.

A preparação da juventude requer, pois, algo mais que a simples cultura escolar e universitária. Requer ser preparada à margem dessa instrução rotineira, da qual se encarrega a pedagogia comum; requer ser preparada para as elevadas funções da vida superior, seja no campo da política, da ciência, da filosofia, da docência, e ainda nas artes, na literatura ou na oratória.

Extraído de Coletânea da Revista Logosofia – Tomo 2, p.153

Coletânea da Revista Logosofia – Tomo II

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Carlos Bernardo González Pecotche, também conhecido pelo pseudônimo Raumsol, foi um pensador e humanista argentino, criador da Fundação Logosófica e da Logosofia, ciência por ela difundida. Nasceu em Buenos Aires, em 11 de agosto de 1901 e faleceu em 4 de abril de 1963. Autor de uma vasta bibliografia, pronunciou também inúmeras conferências e aulas. Demonstra sua técnica pedagógica excepcional por meio do método original da Logosofia, que ensina a desvendar os grandes enigmas da vida humana e universal. O legado de sua obra abre o caminho para uma nova cultura e o advento de uma nova civilização que ele denominou “civilização do espírito”.

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