Para os papais que têm filhos pequenos, conheçam a técnica utilizada por Daniele Barreto, de Brasília, para lidar com as birras tão comumente presentes nos primeiros anos de vida. Analogias são uma ótima forma de simplificar grandes verdades para crianças, para que suas mentes possam aplicar desde cedo os conceitos mais importantes para seu desenvolvimento e melhor colocação no mundo. A imagem da Casinha Mental permite que a criança se proteja de pensamentos negativos, de tristeza, de birra, de irritabilidade, deixando que acessem sua casa mental apenas os pensamentos positivos, de amizade, paciência, colaboração etc. É uma poderosa técnica docente para educação de filhos, que vale a pena todos os pais conferirem (até porque pode trazer benefícios para suas próprias vidas, antes mesmo de seus filhos).

Quando meu filho tinha quase 3 anos, ele fazia muitas birras, quase todos os dias. Chorava e gritava muito e nada o acalmava. Comecei a observar por que ele se comportava daquela forma e resolvi aplicar nele o que eu já estava aplicando na minha vida em busca de ser melhor. Ao mesmo tempo, eu pensei: será que uma criança tão nova vai conseguir entender isso?

Mas não me restava alternativa…

Num momento em que ele estava tranquilo, eu resolvi contar a ele o que eu havia descoberto: “Meu filho, você já percebeu que você chora muito, quase todos os dias, e que as pessoas que estão em volta, como o papai e a mamãe, ficam tristes porque você não consegue se acalmar e parar de chorar?”

Ele falou que sim, que já tinha observado isso.

– E você gostaria de mudar essa atitude e não fazer mais isso?

– Sim, mamãe! Eu não quero mais fazer isso, mas não sei como!

– Pois eu já sei por que você faz isso. A mamãe observou que, toda vez que você sente muito sono ou que você está com muita fome, você começa a fazer essas birras e não consegue nem comer e nem dormir, só chorar. A mamãe vai te contar uma história.

Dentro da sua cabecinha tem uma casinha mental. Nessa casinha mental, vários pensamentos podem entrar e sair. Existem os pensamentos de amizade, de paciência, de colaboração, mas também tem os pensamentos que nos causam tristeza, como esse de birra que você tem. Existe um jeito de conseguir fazer com que esse pensamento de birra não entre na sua casinha mental. Você sabe como?

Você pode colocar um guardinha na porta da casinha para só deixar entrar os pensamentos bons. Desse jeito, quando você perceber que esse pensamentinho de birra está chegando, o que esse guardinha tem que fazer? Fechar a portinha da casa e não deixar ele entrar, porque aí você vai conseguir se controlar e se acalmar quando estiver com fome ou com sono.

E a mamãe pode te ajudar. Sabia que, quando esse pensamentinho está chegando para entrar na sua casinha mental, eu consigo ver que ele está vindo? Quando isso acontecer, você tem que pedir ao guardinha para fechar a porta. Mas não tem como a mamãe fechar a portinha para você.

Vamos combinar que quando esse pensamento estiver chegando a mamãe te avisará para você fechar a portinha?!

Certa vez, enquanto estávamos num restaurante, surgiu a oportunidade de tentar conter esse pensamento. Ele estava com muita fome, e nós estávamos aguardando o pedido do almoço.

– Mamãe, aquele pensamento está vindo!

– Você conseguiu ver que ele está vindo! Agora é a hora de o guardinha fechar a portinha! – com muito afeto, eu falei – A mamãe está aqui do seu lado! Você vai conseguir fechar essa portinha, porque você é valente! Você consegue!

De repente, ele parou, olhou para mim e sorriu – Consegui!

Que emoção foi aquele momento! Eu vi que mesmo uma criança tão pequena, de quase 3 aninhos, conseguiu entender algo tão significativo nas nossas vidas com relação ao mundo dos pensamentos.

“Os pensamentos, apesar de sua imaterialidade, são tão visíveis e tangíveis como se fossem de natureza corpórea, já que, se é possível ver com os olhos e palpar com as mãos físicas a um ser ou objeto desta última manifestação, os pensamentos podem ser vistos com os olhos da inteligência e palpados com as mãos do entendimento, capazes de comprovar plenamente sua realidade subjetiva.” Logosofia: Ciência e Método, p.56

Foi uma experiência muito linda. E tenho certeza de que ele levará para toda sua vida.

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