Há acontecimentos na vida da gente que nos fazem pensar que as coisas não acontecem simplesmente “porque sim”. Que não podem ser apenas meras coincidências, mas sim fatos costurados, se cabe a expressão, por uma espécie de fios invisíveis ao nosso entendimento.

Certa vez estava em um evento familiar. Um evento muito grande, com muitas pessoas que eu não conhecia. Na entrada do salão de festas se concentravam pessoas, umas chegando, outras recepcionando, todas se cumprimentando alegremente. Mesmo com a maioria dos presentes sendo meus parentes, a timidez – na época muito forte em mim – me impedia de agir tão naturalmente quanto gostaria.

Estando ainda perto da entrada do salão, olho para o meu lado e vejo uma criança, uma menina, de cinco ou seis anos. Eu não a conhecia, mas ao ver sua carinha – que expressava uma timidez ainda maior que a minha – senti-me movido a me inclinar diante dela e perguntar: “Como você está?”. Ela abriu um lindo sorriso. Mas eu não perguntei o nome dela, e nem ela o meu. E foi isso. Segui meu caminho e, entre saudações e abraços, encontrei uma roda de primos e fiquei lá um tempo com eles.

Minutos depois, minha mãe vem até a mim dizendo-me que queria me apresentar uma amiga sua. Que esta sua amiga tinha vindo com a sua filha, e, depois de apresentar a elas os meus irmãos mais novos, se viu na necessidade de me procurar, porque esta filha – uma menina de uns cinco ou seis anos – havia perguntado onde estava o irmão ausente, que no caso era eu.

Fui então com a minha mãe. Ao chegar lá, vi que era a mesma menininha a quem havia cumprimentado minutos antes.

Na hora ri da coincidência, afinal aquela criança queria conhecer uma pessoa que na verdade tinha acabado de conhecer. Perguntei seu nome, conversamos um pouco mais e depois cada um foi para o seu lado.

Passaram-se os dias. Conversando em família sobre aquela festa, assunto vai e assunto vem minha mãe me contou algo que no momento me chocou: que aquela menina, a filha de sua amiga, sofria de uma doença congênita que lhe dava irremediavelmente pouquíssimo tempo de vida. Para mim foi um impacto.

Foi como se de repente eu olhasse tudo aquilo que aconteceu sob um outro ponto de vista. Recordando o ocorrido, algo em mim me impeliu, em primeiro lugar, a me dirigir àquela criança e perguntar como ela estava. Algo internamente me impeliu a ser simpático com ela, a dar a ela um pouco de bondade. E possivelmente algo impeliu ela a perguntar pelo irmão ausente após ser apresentada aos meus pais e irmãos.

Vivências como essas me fazem pensar que as pessoas que surgem em nossa vida não surgem “porque sim”, de forma caprichosa e ao acaso. Surgem por um motivo, e sempre têm algo a nos ensinar. A Logosofia, como ciência do invisível, tem me dado recursos para entender e acessar este mundo causal, ainda tão ignorado e ao mesmo tempo fonte das mais belas maravilhas que um ser humano pode viver.

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“Como se sabe, no mundo os seres se encontram ou se desencontram. Para mim, é como se o mundo movesse suas alavancas ao meu redor, e experimento grande alegria quando, ao passar por um lugar ou outro, encontro pessoas que se vinculam à minha vida como se fossem velhos amigos ou velhos conhecidos. Ao estreitar-lhes a mão, jamais penso que lhes direi adeus, adeus para sempre; ao contrário, meu pensamento é mantê-los permanentemente vinculados à minha vida, ao meu afeto e às minhas recordações.”

“Os seres não se encontram no mundo sem motivo; há algo que os aproxima, que os vincula. Nem todos conhecem o porquê desses acercamentos nem desses encontros; daí que a maioria, ao não dar valor a tais fatos, siga, depois de ter se aproximado, em direções opostas, para não voltar a se encontrar.” Introdução ao Conhecimento Logosófico, página 465

Introdução ao Conhecimento Logosófico

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