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Aproveite para tomar contato com os artigos de Carlos Bernardo González Pecotche, criador da Logosofia.

Os demais artigos foram extraídos de trabalhos realizados por logósofos, com resultados alcançados na prática dos conhecimentos oferecidos por essa ciência.

Os artigos poderão ser reproduzidos livremente desde que sejam mencionados o nome da Fundação Logosófica, o site www.logosofia.org.br e o nome de seus autores.

Você sabe viver ou reveste sua vida de aparências?

A propensão à dissimulação consiste na tendência do indivíduo a mudar a face verdadeira das coisas, revestindo-as de uma aparência que costuma chegar a imitações surpreendentes da realidade. Isso quer dizer que alguém pode estar à beira de uma derrocada econômica, mas, incitado por motivos banais ou por algum interesse de outra ordem, é capaz de simular despreocupação e até se permitir esbanjamentos que de­em a impressão de que seus bens se encontram em estado florescente. Em outras palavras, pretende convencer que o que finge é realidade. 

 

A vida de aparências influi particularmente na gênese desta propensão, embora possa ser inata. A superficialidade que reina nela faz da dissimulação um meio do qual se lança mão para disfarçar com argúcia sentimentos e intenções, ganhar prestígio, despertar admiração e satisfazer, enfim, todo tipo de puerilidades. Exibe-se, em suma, o que não se é nem se tem; trata-se de um vão afã, que age poderosamente sobre um grande número de pessoas. Cada um pensa que o concurso da dissimulação é necessário, e, sem perceber, a propensão a fazer uso dela se acentua, cria raízes, torna a vida artificiosa e situa a pessoa fora da realidade. 

 

A propensão à dissimulação provém da má formação educacional

 

É certo que podem ser citados outros fatores que originam esta propensão. Em primeiro lugar, a má formação educacional, de onde provêm quase sempre todos os demais fatores, a saber: vaidade, ambição, frivolidade, hipocrisia e alguns outros que denunciam condições caracterológicas muito sérias. Esses fatores – ou, mais claro ainda, essas deficiências –, que configuram, poderíamos dizer, o fundo da propensão de que nos ocupamos, segundo o grau de negatividade que alcancem no indivíduo, influem sobre a propensão e a agravam, convertendo-a em norma de conduta pessoal, de onde resultam depois formas de dissimulação condenáveis. 

 

Poderíamos acrescentar que, no melhor dos casos, a propensão à dissimulação é a arte de ocultar difíceis situações pessoais, aparentando o contrário do que sucede. A bem da verdade, não cabe censurar as pessoas que lançam mão deste recurso para evitar a deprimente situação de ter de confessar aos demais o momento difícil que atravessam. Feita a ressalva, aconselhamos nunca incorrer no erro de fazer da dissimulação um hábito, pois isso implica a perda do bom conceito que possa ter.

Texto extraído do livro Deficiências e Propensões do Ser Humano, pág. 168
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