artigos


Aproveite para tomar contato com os artigos de Carlos Bernardo González Pecotche, criador da Logosofia.

Os demais artigos foram extraídos de trabalhos realizados por logósofos, com resultados alcançados na prática dos conhecimentos oferecidos por essa ciência.

Os artigos poderão ser reproduzidos livremente desde que sejam mencionados o nome da Fundação Logosófica, o site www.logosofia.org.br e o nome de seus autores.

Para dar maior conteúdo à vida

No homem existiu sempre, por lei natural, a inclinação para a posse; possuir uma coisa constituiu-se em todas as épocas um prazer, experimentado desde o momento em que se pensou na posse até seu alcance. Isto, naturalmente, dá um conteúdo à vida durante todo o tempo em que se mantém vivo o pensamento da posse. Há uma sensação agradável, que chega a presidir a vigília e até o sono, sobretudo quando se produz a aproximação ao desejado, e, enquanto dura e se realiza a aspiração, o ser vive feliz.

Apesar de a vida humana ser um constante possuir, a maioria ignora como é possível cumprir este desígnio sem que cada posse produza tormento e aflição, em vez de dar felicidade. Há que saber o que se quer possuir, e saber, também, se tal posse haverá de identificar-se com a vida e será elemento fértil para o cultivo de futuras prerrogativas. Deve-se possuir, então, aquilo que ofereça felicidade com projeções ao eterno, para que ela não seja efêmera. Esta verdade deve ser para cada um o sol que ilumine os dias da existência.

O conhecimento é uma das posses a que mais deve aspirar o ser humano

Muitas vezes se tem visto as pessoas sentirem felicidade enquanto buscavam por todas as partes do mundo a posse, por exemplo, de um selo, a qual manteve viva nelas a ilusão de encontrá-lo. Uma vez em suas mãos, é colocado em um álbum que se fecha, acabando ali a posse. Tal fato constitui a própria negação da posse, porque toda coisa nova que se possua deve enriquecer o acervo pessoal e tudo quanto forme a própria vida, aumentando a felicidade, a alegria e oferecendo uma nova possibilidade.

O homem pode traçar para si uma norma de conduta, procurando na posse de algo que lhe embeleze a vida, ou lhe dê conteúdo, o vigor do qual tanto necessita a alma nos momentos difíceis e que tão somente lhe pode dar a felicidade sabiamente experimentada e vivida, e a alegria e a confiança no que possui. Não é olhando para aqui e para lá, dizendo "isto me agrada, e isso também, e aquilo e mais aquilo”, como se poderia encontrar prazer, senão que esse prazer há de achar-se na segurança de sentir-se dono do que já se possui e em saber que ainda se pode chegar a possuir muito mais, com inteligência e bom juízo.

É necessário dar à vida um conteúdo, que pode ser aumentado pela qualidade das posses a que se aspire. O conhecimento é uma das posses a que mais deve aspirar o ser humano, visto que facilita a posse de tudo mais. Ainda que em determinado momento se perca integralmente o material, se conservarão intactas as posses espirituais. O material poderá ser reconstruído, poderá ser novamente possuído; mas nunca caia o homem na aberração da conquista material exclusiva, pois lhe faria perder o patrimônio do espírito, que é de essência eterna. 

 

Texto extraído do livro Introdução ao Conhecimento Logosófico, pág. 184
Cadastra-se Projeto Cultural