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Aproveite para tomar contato com os artigos de Carlos Bernardo González Pecotche, criador da Logosofia.

Os demais artigos foram extraídos de trabalhos realizados por logósofos, com resultados alcançados na prática dos conhecimentos oferecidos por essa ciência.

Os artigos poderão ser reproduzidos livremente desde que sejam mencionados o nome da Fundação Logosófica, o site www.logosofia.org.br e o nome de seus autores.

Origem das inquietudes das espirituais

É próprio do homem inquietar-se com o além-mundo, com o seu destino ultrafísico, inquietude que se aguça de vez em quando por efeito de algum padecimento ou por encontros com enigmas que a inteligência tem procurado em vão desvendar. O espectro da morte o aterroriza. Contempla seu ser físico e se estremece pensando que pode perdê-lo, que o perderá irremediavelmente; e pergunta a si mesmo, com insistente ansiedade, se lhe seria possível escapar dessa imaginada voragem que o vai levando inexoravelmente à desintegração total de sua existência. A essa indagação a inteligência não responde, guarda silêncio, mas internamente a inquietude se aprofunda e chega às vezes ao desassossego.

 

Quem, senão o próprio espírito, promove tais desassossegos? 

 

Quem, senão ele, induz o homem a buscar o saber? Mas não o saber comum, que atende às exigências da vida corrente. Referimo-nos ao que enriquece a consciência, ao que transcende a esfera vulgar do mundo para dominar, na medida de sua extensão, o imenso campo mental, o metafísico, povoado pelos pensamentos e pelas grandes ideias. Nesse âmbito de incontáveis milhões de entidades ultrafísicas é onde o espírito individual costuma captar as imagens mais valiosas, das quais faz o ente físico participar quando se estabelece a íntima correspondência entre ambos, com vistas a uma plena identificação. 

 

De certo modo, o ente físico poderia ser comparado a um televisor. Sem a antena, as imagens ficam confusas, mas aparecem nítidas com ela. No caso do ente físico, ninguém deixará de perceber quem faz as vezes de antena, só que não é fixa, mas sim móvel e, portanto, de longo alcance na medida em que aumenta sua capacidade receptora, ou seja, quando o espírito, escalando alturas pela evolução, domina áreas cada vez mais dilatadas da concepção universal.

 

Acontece que o homem, ao experimentar essas inquietudes, procura satisfazê-las sem pensar que elas implicam um chamado à sua razão e à sua sensibilidade, para que sinta a necessidade de dedicar-se à sua emancipação integral.

 

Pode-se muito bem afirmar que pouco ou nada já se disse de certo a respeito do espírito humano, justamente por se carecer de conhecimentos que revelassem o profundo mistério que o espírito representa para a razão do homem.

 

O constante anelo do homem de expressar-se, de comunicar-se, demonstra que seu ser não é inteiramente material, que algo superior anima sua vida e lhe permite pensar e sentir; é como algo que ele não vê nem pode tocar, mas cuja existência suspeita, pressente ou intui.

 

Esse ente, que articula seus movimentos na penumbra mental a que a inteligência do homem, sem o auxílio de vastos conhecimentos, não tem acesso por razões óbvias, é seu espirito que, a medida que toma maior ingerência na vida que anima, ilumina o âmbito interno e com isso aparece claro o porquê da origem das inquietudes espirituais. 

 

Extraído do livro O Espírito, pág. 23
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