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Aproveite para tomar contato com os artigos de Carlos Bernardo González Pecotche, criador da Logosofia.

Os demais artigos foram extraídos de trabalhos realizados por logósofos, com resultados alcançados na prática dos conhecimentos oferecidos por essa ciência.

Os artigos poderão ser reproduzidos livremente desde que sejam mencionados o nome da Fundação Logosófica, o site www.logosofia.org.br e o nome de seus autores.

O poder da adaptação no momento atual

A inadaptabilidade é uma deficiência pronunciadamente negativa, que põe a pessoa em situações incômodas e a submete a dolorosas experiências por causa da permanente inconsciência em que a deixa, impedindo-a de amoldar-se aos novos acontecimentos que a vida traz consigo, bem como a toda circunstância que, de um modo ou de outro, implique uma mudança em seus pensamentos, atitudes ou costumes. Em outros termos, obriga a pessoa a viver em desacordo com a realidade que a rodeia e, portanto, faz com que experimente de forma constante os ingratos resultados de sua obstinada resistência à lei de adaptação. 

Sem nos determos nas comprovações biológicas a respeito do ponderável grau de adaptação das formas de vida vegetal e animal, veremos que fatos históricos demonstram a enorme capacidade natural do homem para adaptar-se às mais variadas condições de vida. Forçado a isso, sua adequação ao meio e a toda espécie de pressões e necessidades é um fato certo, o que todavia não o impede de rebelar-se e mergulhar em incompreensões que repercutem dolorosamente nele. 

A inadaptabilidade não corresponde, pois, ao físico, e sim ao psíquico, ou mais diretamente à parte mental do indivíduo, por ser na mente onde se deve verificar a passagem de um estado a outro de compreensão. A inteligência desempenha um papel sumamente importante nas decisões, e aceita ou resiste às mudanças a que o ser deve submeter-se em razão de necessidades ou circunstâncias. Na mente não se produz, como no caso do físico, a adaptação espontânea que reflete o sutil movimento de conservação da vida por meio das alternativas a que se vê exposta. Nela, a adaptação se realiza em virtude dos acertos da inteligência na elaboração de uma razão que sirva para sustentar uma posição ou um comportamento que é preciso adotar. 

Esse pensamento negativo esconde sempre o ídolo da falsa personalidade. Por trás dos bastidores do cenário psicológico, a inadaptabilidade move sigilosamente os fios de sua argúcia e é, definitivamente, a que se rebela contra as situações ou acontecimentos adversos e a que reage contra toda ideia que tenda a modificar sua rígida postura. 

A pessoa submetida aos transtornos que a inadaptabilidade ocasiona, atrasa sensivelmente o processo de sua vida. Sem se decidir a imitar o exemplo dos que saltam com agilidade os obstáculos que comumente se levantam para provar a fortaleza e a têmpera, permanece à espera de que eles desapareçam em virtude de algum milagre especialmente realizado para sua exclusiva comodidade.

A adaptação é um poder consubstancial com a natureza física e psíquica do homem,

que lhe permite suportar os maiores sofrimentos e incômodos sem perder as prerrogativas de seu gênero. Mas esse poder só se manifesta com todo o vigor de sua potencialidade quando se leva a adaptabilidade à prática, depois de sua assimilação como conhecimento. O exercício voluntário desse poder promove a adequação da vida às mil e uma dificuldades que se lhe apresentam, evitando o desgaste de resistências inúteis. 

Extraído do livro Deficiências e Propensões do Ser Humano, pág. 52
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