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Aproveite para tomar contato com os artigos de Carlos Bernardo González Pecotche, criador da Logosofia.

Os demais artigos foram extraídos de trabalhos realizados por logósofos, com resultados alcançados na prática dos conhecimentos oferecidos por essa ciência.

Os artigos poderão ser reproduzidos livremente desde que sejam mencionados o nome da Fundação Logosófica, o site www.logosofia.org.br e o nome de seus autores.

O descanso eterno

Vamos nos referir a certa prédica de raízes milenares: o “descanso eterno” que deve ser desejado para todo espírito que abandona este mundo. Formularemos, antes, três indagações em nome da sensatez e da lógica.

 

Há alguém que num período de vida física – efêmero em relação à infinidade do tempo cósmico – tenha trabalhado tanto, a ponto de fazer-se credor de semelhante ócio?

 

Que espírito evoluído consentiria recolher-se em si mesmo, numa perene folgança, enquanto tantas almas humanas, a quem ele poderia ajudar, sofrem no mundo?

 

Quem pode aspirar ao descanso eterno, sabendo que seu espírito deve continuar a evolução pré-fixada pela lei?

 

Ficaremos agradecidos se nos desejarem uma eterna atividade, pois atividade é energia, e a energia é o motor que impulsiona a existência em qualquer de suas manifestações. Descanso eterno é, pelo contrário, imobilidade, é a segunda morte, o caos, o nada. Enquanto a atividade amplia a vida, a inércia a comprime, com risco de fazê-la desaparecer.

 

Infere-se do exposto que, impensadamente, será um mau pensamento o que se terá para com aquele a quem se deseje um “descanso eterno”. 

 

Nem na vida, nem na pós-vida, um descanso prolongado não convém a ninguém

 

Cada ser humano que se preze como tal na mais elevada expressão de seu significado, deve intuir que sua criação obedece a uma finalidade superior e que, portanto, não pode limitar sua vida à rotineira e simples tarefa de viver e morrer sob o influxo de uma concepção materialista que nada lhe concede fora das prerrogativas comuns de um mero existir diário. Sua ocupação fundamental, isto é, a que leva a cabo fora de suas obrigações de ordem física ou material, deve ser concretizada em vivências altamente construtivas para sua evolução. Como? Interessando-se vivamente pela condução consciente da vida em direção a um destino que transcenda completamente o comum. A Logosofia satisfaz plenamente essa aspiração e leva cada indivíduo a penetrar profundamente nos mistérios da própria existência.

 

Assim, adquire-se a certeza de que nem na vida, nem na pós-vida, um descanso prolongado não convém a ninguém. A inércia desintegra a matéria, prevalecendo a mesma lei para o espírito individual.

 

Deus não pode alentar vida naquelas almas que contrariam a grande lei de evolução, a qual enche de energia o Universo e é atividade permanente. Convém tomar gosto pela atividade, neste caso a atividade consciente, já que nos estamos referindo à que preferentemente interessa ao espírito. Essa atividade é a que nos faz experimentar o fluir constante da vida, pois promove seu enlace com a energia da Criação, esse alento imperceptível, fecundo, que dá estabilidade a tudo quanto existe.

 

Quando o espírito se sustenta com os elementos sempre ativos do eterno, faz-se invulnerável à ação do tempo, que jamais afeta o que permanece ativo, com vida, unido ao alento da vida universal. 

Extraído do Livro O Espírito, pág. 159 e 162
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