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Aproveite para tomar contato com os artigos de Carlos Bernardo González Pecotche, criador da Logosofia.

Os demais artigos foram extraídos de trabalhos realizados por logósofos, com resultados alcançados na prática dos conhecimentos oferecidos por essa ciência.

Os artigos poderão ser reproduzidos livremente desde que sejam mencionados o nome da Fundação Logosófica, o site www.logosofia.org.br e o nome de seus autores.

A memória consciente

A distração, justificável na infância, é, em jovens e adultos, seriamente nociva, porquanto diminui as possibilidades de am­pliar a própria capacidade com os aportes que, por via da atenção e do interesse, passam ao entendimento e, dali, à memória.

 

Na juventude, a memorização permite cumprir com facilidade os programas instituídos para a capacitação intelectual e a formação da cultura. Mas, satisfeitas essas exigências, o domínio dos ele­mentos que a memória reteve decai, porque o estudante se habituou a usar a memória como ins­trumento de repetição, e não a compenetrar-se daquilo que estuda mediante o exercício consciente do ato de pensar.

 

Os que pade­cem de falta de memória, por agirem como robôs, atuam de forma não planejada, quase sempre em obediência à lei cíclica que lhes permite desempenhar uma função por simples repe­tição de movimentos, sem pensar no que realizam, e disso sempre resultam situações incômodas, transtornos, perdas de tempo, etc. Não controlam suas determinações, e vão de um lado para outro, instadas por suas neces­sidades ou obrigações habituais, mas com a atenção ausente, seja porque alguma ideia atraente as subjugue, seja porque um pesar as invada ou por se deixarem absorver por qualquer circunstância.

 

A ausência de memória pode ser consequência do muito uso que se tenha feito da faculdade de recordar. Os que carregam grandes responsa­bilidades: financistas, homens de ciência ou de empresa, etc., frequentemente fazem com que sua memória se ressinta. Confia-se nela a tal extremo, que nem ao menos se procura aliviá-la com anotações parciais do que se exige que ela retenha. A falta de memória em tais casos provém de alterações sofridas pela célula nervosa. A manutenção de um ritmo de atividade mental que force ao máximo a faculdade de recordar faz essa célula ressentir-se com o tempo, sobrevindo a falta de memória, pois não se observou uma medida prudente entre o esforço mental e o descanso anímico. A estafa é a culminação desse estado de esgotamento da célula cerebral. Regular o uso da memória, sem forçá-la em excesso na sua fun­ção retentiva, é, em parte, conservar sua plenitude.

 

Mas a importância da memória assume outros contornos, considerada do ponto de vista da evolução, que requer a memorização consciente, porque, não sendo assim, a pes­soa se mantém em desconexão com a própria vida.

 

O método logosófico mostra como se deve manejar a faculdade de recordar, 

caso se queira que nada escape ao domínio consciente da memória

 

As imagens gravadas na retina mental com a participação da consciência raras vezes são esquecidas. Existem na vida humana passagens, fragmentos de existência, que tiveram a virtude de conceder-nos instantes de felicidade. Esquecê-los é enterrá-los no passado, como coisa morta. Ta­manha ingratidão afeta essas partes da exis­tência que, por serem inseparáveis da vida, reclamam sua recordação. Quando buscadas, convertem-se em estímulos po­derosos. 

Texto extraído do livro Deficiências e Propensões do Ser Humano, pág. 80
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