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Aproveite para tomar contato com os artigos de Carlos Bernardo González Pecotche, criador da Logosofia.

Os demais artigos foram extraídos de trabalhos realizados por logósofos, com resultados alcançados na prática dos conhecimentos oferecidos por essa ciência.

Os artigos poderão ser reproduzidos livremente desde que sejam mencionados o nome da Fundação Logosófica, o site www.logosofia.org.br e o nome de seus autores.

A inocência como fator de bem

HSe algo persiste com maior insistência na alma do ser, à medida que os anos correm pelo caminho da vida, é o desejo de conservar eternamente a inefável fragrância da meninice; referimo-nos à sublime candura da infância, em cuja idade as imagens se calcam tão assombrosamente vívidas no interior do coração humano, e com tanta exuberância de matizes e coloridos, que sua simples recordação abre logo caminho a um sem-número de gratas reminiscências, chegando inclusive a enternecer, pelo sentimento que a graça da criança inspira em seus primeiros tratos com o mundo.

Quantas vezes o homem se comporta como uma criança, e até lhe é grato voltar às travessuras de seu tempo de menino; porém, esquece que perdeu a inocência e que tais posturas, embora particularizem um estado de ânimo festivo, não se ajustam às regras de conduta próprias de um homem maduro. 

 

A inocência é uma das expressões mais concludentes da pureza. Uma vez perdida, pode o ser humano voltar a possuí-la? Sim, ela pode voltar a se instalar dentro do ser como conteúdo essencial da vida.

 

As primeiras contaminações que se produzem na terna idade da infância e que influem tão consideravelmente no ânimo, na moral e instintos do ser, ocorrem na mente. É nela que tomam forma e se instalam como senhores os pensamentos que mais tarde gravitam decididamente no gênero de vida que se elege para satisfação deles.

 

Convenhamos que, se contemplarmos o estado comum da humanidade, nos convenceremos de que o homem perdeu a inocência, mas conserva intacta sua ingenuidade

 

É fácil, então, compreender que, para eliminar todo pensamento impuro, seja necessário efetuar uma rigorosa limpeza mental. Isso é fundamental, caso se queira resgatar o diáfano fulgor da inocência.

 

É preciso saber que a inocência no homem deve ser produto de uma condição superior. A boa intenção, como o altruísmo, o sentido do bem, do belo e do justo, são sinais característicos de elevação moral. Ali aparece a pureza de tudo de bom que se pode reunir como manifestação de uma vida amável, doce e consciente de sua natureza inofensiva e leal.

 

É possível voltar à inocência, à pureza no pensar, no sentir, no proceder e no tratamento que dispensamos a nós mesmos. E dizemos a nós mesmos porque é preciso saber que há uma vida íntima que pertence particularmentea cada um. Ali, nesse íntimo enlace entre a consciência, o coração e a mente, é onde se está perante o juízo que nos interroga e onde todo ser delibera sobre a natureza e o alcance de suas decisões. 

 

É justamente nessa vida de relação consigo mesmo que se deve cultivar a pureza fertilizante e ativa que depura o campo mental, permitindo que se deem à luz os pensamentos mais preeminentes e fecundos, capazes de operar verdadeiros prodígios no interior do ser, como o de conduzi-lo às insuspeitadas metas do conhecimento.

Extraído da Coleção da Revista Logosofia, tomo 2, pág. 55
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