artigos


Aproveite para tomar contato com os artigos de Carlos Bernardo González Pecotche, criador da Logosofia.

Os demais artigos foram extraídos de trabalhos realizados por logósofos, com resultados alcançados na prática dos conhecimentos oferecidos por essa ciência.

Os artigos poderão ser reproduzidos livremente desde que sejam mencionados o nome da Fundação Logosófica, o site www.logosofia.org.br e o nome de seus autores.

A força existencial da natureza humana

Entre os múltiplos aspectos que configuram a psicologia humana, o que diz respeito à sensibilidade é um dos mais importantes e que mais influem no curso da vida.

 

O estudo a fundo dessa questão merece uma discriminação de seu conjunto, e será necessário classificá-la em duas categorias. A primeira abarcará tudo o que diz respeito ao próprio sentir nas relações da pessoa consigo mesma; a segunda, toda a extensão que transcende a órbita da primeira. Em ambos os casos, a sensibilidade costuma se aguçar, seja por aquilo que afeta diretamente o indivíduo, seja pelo que afeta os demais seres. 

 

A perda de seres queridos, ocasionada por distanciamentos ou falecimentos, ou a perda de bens produzem lógicos abalos sensíveis em quem é atingido por tais coisas, sendo sua própria consciência a que registra o fato que o comoveu. Mas, quando o que ocorre afeta outra pessoa e igualmente se sente uma profunda comoção, o fato então assume um caráter diferente. 

 

Quem preserva seus sentimentos de qualquer perturbação estranha a sua sensibilidade

preserva, também, sua paz interna e a felicidade

 

Quando se experimenta um sentir de tal natureza por outro ser, estabelece-se de fato um vínculo existencial, ou seja, conectam-se duas existências sensíveis; sendo assim, produz-se uma espécie de prolongamento da vida de um em outro, pois tudo o que acontece com aquele a quem se estende o sentir é como se acontecesse com quem experimenta o efeito sensível, adquirindo este maior intensidade ao manifestar-se pela força de um afeto, quanto maior for a pureza e o desinteresse que o inspire. Daí que seja tido em grande apreço tudo que se refere ao sentimento.

 

Também se podem estabelecer vinculações intelectuais, porém elas não passam de meras formas de convivência comum; não obstante, a vinculação intelectual pode criar a vinculação simpática, o que significa que se haveria dado, por influência da simpatia mútua, um passo mais para condensar um sentimento de afeto cuja expressão sensível é o laço existencial que une e prolonga a vida de um em outro.

 

O exposto dá a pauta para julgar a importância de que se reveste o sentimento no ser humano e, ao mesmo tempo, mostra que o sentimento é uma força existencial que deve ser considerada como parte da própria vida. Se tal força é afetada, a vida sofrerá em idêntica proporção a repercussão da alteração produzida.

Portanto, quem preserva seus sentimentos de qualquer perturbação estranha a sua sensibilidade preserva, também, sua paz interna e a felicidade que a existência deles oferece a quem os cultiva com amor e conhecimento.  

Extraído da Coleção da Revista Logosofia, tomo 2, pág. 209
Cadastra-se Projeto Cultural