artigos


Aproveite para tomar contato com os artigos de Carlos Bernardo González Pecotche, criador da Logosofia.

Os demais artigos foram extraídos de trabalhos realizados por logósofos, com resultados alcançados na prática dos conhecimentos oferecidos por essa ciência.

Os artigos poderão ser reproduzidos livremente desde que sejam mencionados o nome da Fundação Logosófica, o site www.logosofia.org.br e o nome de seus autores.

A arte de governar (1a parte)

Considera-se algo sabido, segundo a definição corrente, que política é a arte de governar. Mas, se a política fosse isto, já se teria conseguido realizar, verdadeiramente, a consumação máxima do sentido do termo. Por infelicidade, existe a esse respeito uma distância que se mantém em muitos povos da terra sem nenhuma variação apreciável.

No processo histórico das sociedades humanas, desde os tempos imemoriais até o presente, percebem-se idênticas inquietudes e idêntico afã de alcançar as posições diretivas, enquanto as organizações sofrem os vaivéns das lutas partidárias. Uma vez composta, cada agremiação política proclama aos gritos, ante as doutrinas adversárias, a qualidade insuperável de seus postulados, e cada uma, por sua parte, trata de pressionar por todos os meios a seu alcance a decisão majoritária que haverá de lhe dar o triunfo.

Mais claramente, a política poderia ser definida como a arte de chegar ao governo, pois a capacidade para desenvolver o processo do programa próprio até alcançar o fim proposto no campo da política não implica, de modo algum, a capacidade para guiar o processo dos demais.

A arte de governar, o homem começa a aprendê-la no dia em que ascende ao poder,

sempre que as tarefas, problemas e conflitos que deve atender e enfrentar lhe permitam exercer livremente, sem pressões estranhas à sua função, essa difícil arte.

A política suscita dissensões e temores, os quais raramente abandonam o governante, por mais bem intencionado que seja, porquanto as críticas ou as ideias contrárias às suas gestões de governo pareceriam impedir que se apague o fogo das paixões que mobilizaram e pressionaram as lides partidárias em plena efervescência eleitoral.

E é estranho, quase diríamos inverossímil, que um cidadão chegue à mais alta função pública sem se haver apoiado em forças populares nem contraído compromissos de todo tipo, e o conjunto dessas forças e compromissos depois reclama para si o poder de indicar rotas e decisões. Não se viu muitas vezes como os partidos políticos absorvem a vontade do chefe de Estado, impondo-lhe suas decisões e mandados? E não é por acaso o temor de ser abandonado pelos que o levaram ao poder o que faz com que ele ceda às suas exigências ou às daqueles que lhe prestaram seu concurso ou lhe serviram nos momentos febris da luta?

A nave do Estado deve sulcar águas agitadas por tormentosas correntes, cada vez que um novo capitão empunha o timão, e é de muito séria gravidade para um barco que se acha às voltas com temporais, em alto-mar, que comecem também a se agitar seus tripulantes, seja por falta de víveres, seja por questões que nunca faltam e que eclodem, geralmente, quando as situações se tornam indefinidas.

Ceder constantemente às exigências das forças populares que prestam seu apoio não implica dirigi-las, orientá-las ou encaminhá-las para finalidades superiores de governo.

Trechos extraídos de artigo da Coletânea da Revista Logosofia, tomo 2, p. 246
Cadastra-se Projeto Cultural