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Aproveite para tomar contato com os artigos de Carlos Bernardo González Pecotche, criador da Logosofia.

Os demais artigos foram extraídos de trabalhos realizados por logósofos, com resultados alcançados na prática dos conhecimentos oferecidos por essa ciência.

Os artigos poderão ser reproduzidos livremente desde que sejam mencionados o nome da Fundação Logosófica, o site www.logosofia.org.br e o nome de seus autores.

A arte de ensinar e a vontade de aprender (1.a parte)

A vantagem de ensinar às crianças reside no fato de que a elas se pode corrigir e até repreender, segundo seja o caso, com absoluta despreocupação quanto às suas reações derivadas do amor-próprio, tão pronunciado no ser humano. As pessoas adultas têm, além disso, a mente quase sempre ocupada com mil assuntos distintos e, por outro lado, não frequentam as aulas no horário da manhã ou da tarde, como as crianças, mas à noite, sendo então de se prever que tenham acumulado todas as fadigas do dia, o que atenta, queira-se ou não, contra o melhor propósito ou disposição de escutar, estudar e aprender. Nessas horas, buscam-se entretenimentos alegres ou de outro gênero na esperança de descongestionar a mente com motivos que manifestamente distraiam o pensamento.

Daí que o adulto, o ser que já ultrapassou a época dos sonhos quiméricos, quando mostra ardente vontade de superação e em verdade quer desfrutar mais prontamente as prerrogativas que a ampliação do saber confere, deva se dispor, com todas as forças de sua alma, para levar em frente com digno entusiasmo e empenho a tarefa de cultivar suas faculdades. Convém, por conseguinte, se não existem sinais que a evidenciem, começar por criar a vocação para o estudo, para a ilustração e o aperfeiçoamento. Essa vocação pode ser com certeza criada, se, auscultando o sentir, percebe que surgem aspirações de melhoramento paralelamente ao reconhecimento da própria mediocridade, a qual se há de querer transcender, distanciando-a cada dia mais das condições superiores cuja conquista se tenta.

Deve-se entender por vocação o pensamento que preside e anima o esforço em tenaz correspondência com a vontade,

que em nenhuma hipótese deve decair, uma vez definido e preparado o caminho a seguir. Ao mesmo tempo, deverá formar-se um juízo bem acabado sobre as preferências internas a respeito do saber, ou seja, se tão-somente se busca este saber para adquirir uma certa ilustração, se é cultivado nada mais que para saber, ou se é erigido como uma necessidade permanente do espírito e como finalidade primordial da existência. Em tal caso, o ato de estudar e aprender transforma-se fundamentalmente: reveste-se agora de todas as características da fecundidade, no natural exercício da função criadora do pensamento.

No primeiro caso, o ser humano somente busca melhorar suas perspectivas, fazendo mais cômodo o lugar que ocupa na vida de relacionamento. Sabe-se como a ignorância, que é ausência de conhecimentos e falta de cultura, limita e dificulta a maneira de viver e os meios de atuar, já que, não sabendo por esta causa como ser mais, o inapto haverá de se conformar com aquilo que licitamente e por justiça lhe é possível ter. Porém, melhoradas suas condições pela instrução e pelo esforço na sua aplicação, é lógico que experimente o prazer inefável de seu adiantamento espiritual e material. Entenda-se espiritual, como bem dissemos primeiramente, porque é coisa muito certa que toda claridade que se consiga fazer penetrar na mente sempre tende a repercutir no sentimento, e este, por reflexo, agita o espírito, atraindo, em consequência, a atenção própria para o que surge acima do material, enobrecendo a vida.

Trechos extraídos de artigo da Coletânea da Revista Logosofia, tomo 2, p.163
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